segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vinho do Porto desaguou no Tejo

Por Jorge Santos Carvalho

Pelo sexto ano consecutivo, o Convento do Beato recebeu mais uma edição do Porto e Douro Wine Show. Promovido pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) este evento reuniu, em Lisboa, alguns dos principais produtores dos néctares de uma zona que é Património da Humanidade, distinção recebida a 12 de Dezembro de 2001. E se o vinho do Douro está bem e recomenda-se, já o do Porto está a precisar de se reinventar. E não falamos da qualidade do produto, de excelência e mundialmente reconhecido. Carlos Soares, responsável pelo mercado nacional do IVDP, explica porquê.


Entre sábado e domingo, o Douro desaguou no Tejo. E com ele trouxe 60 expositores desta região demarcada. Durante dois dias, houve tempo para tudo um pouco, das provas, às palestras, passando por demonstrações culinárias harmonizadas – para quem não sabe, trata-se de conjugar o vinho com a refeição que irá para a mesa. 

Aposta na qualidade e nos... jovens
Reinventar o conceito do vinho, em particular o do Porto, e o seu consumo foram alguns dos objectivos aos quais a organização se propôs. Pergunta-se, pois: mas o que vai mal no reino do Vinho do Porto? Na verdade, nada, está tudo bem. Ou quase tudo. «Desmistificar o vinho do Porto como sendo uma bebida elitista é uma tarefa complicada mas perfeitamente possível. A verdade é que é um vinho demasiado bom para só o bebermos de vez em quando», sublinha Carlos Soares, prosseguindo. «Sim, é verdade, os preços pouco convidativos do vinho do Porto poderão ser um dos factores que ajudarão a explicar uma certa indiferença dos consumidores. No entanto, há que perceber que os custos de produção não permitem que se pratique preçários mais baixos, que estejam ao alcance de todos, ou quase todos. A aposta passa pela qualidade, agora e sempre. Queremos, neste sentido, atrair públicos mais jovens, ou seja, tornar esta bebida mais...jovem. Como é que isso se faz? É simples. Por exemplo, promovendo o vinho do Porto em espaços nocturnos e passar a mensagem de que pode ser consumindo de forma diferente. Com isto quero dizer que não tem de ser bebido quase em exclusivo em momentos solenes.»

E a crise que já se instalou em Portugal estará, de alguma forma, a condicionar os consumidores a apostarem noutros vinhos que não os do Douro? «Não é por serem baratos que os vinhos são de qualidade. A verdade é que os produtores estão a readaptar os preços à actual conjuntura», diz, reconhecendo que este ano houve uma quebra de 10 por cento nas vendas de vinho do Porto e do Douro, em relação ao mesmo período homólogo do ano passado.

Fotos de Alexandre Pona/ASF

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