segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Perder alguém...


É indescritível a sensação de perder alguém que amamos. É uma dor tão grande que chega a tornar-se física. É então que percebemos o quão importante era esse alguém na nossa vida, que nunca mais o vamos ver, sentir o seu toque, ouvir a sua voz… Ninguém deveria passar por essa provação. A perda de um ente querido é devastadora, é um tiro na nossa alma, um buraco impossível de preencher, uma nódoa impossível de arrancar. Ficamos sem rumo, a bússola que nos permitia seguir o caminho certo caiu no mar. Quando recebemos a notícia toda a nossa vida é sugada e sentimo-nos mortos, tal como eles, incapazes de reagir. É uma dor insuperável, é certo, mas temos de continuar a viver por mais díficil que possa parecer, seguir em frente. Pode levar dias, meses, anos ou até uma vida inteira para recuperar de uma perda, tudo depende da força interior e da coragem em progredir, em mudar para melhor e da capacidade de canalizar o sofrimento em felicidade, das perdas em conquistas. Quando já nos sentimos preparados para aceitar que estamos vivos, para reagir, aí o mundo avança e mostra o seu lado belo, a razão porque viver é uma dádiva divina. Não podemos fugir ao nosso destino, a vida é demasiado efémera para nos lamentarmos. Vamos antes descobrir, brincar, rir e ser feliz. É tão fácil falar! A perda é algo para qual o ser humano nunca está preparado. Perante a perda todas as estruturas, todos os nossos planos deixam de fazer sentido, porque essa pessoa já não pode fazer parte deles. Curioso é que apesar da distância física, sentimo-la mais presente do que nunca no nosso interior, como se vivesse dentro de nós, o que de certo modo é verdade. Uma pessoa amada nunca morre completamente, vive sempre através dos que a recordam, protegendo e velando pelos que deixou.
António Barroso

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